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Quero ficar sozinha este natal

Estou cansada de pessoas. De palavras e más atitudes. Estou cansada de pessoas que nem se apercebem das más atitudes que têm. Cansada de tentar agradar a tudo e todos e ninguém se esforçar para me agradar a mim. É sempre nesta altura do ano, com o aproximar de um recomeço que me viro um bocadinho mais para dentro de mim própria e começo a pensar em tudo o que deixem em stand-by cá dentro. Todos deixamos demasiadas coisas sem stand-by dentro de nós, muitas delas por tempo indeterminado, palavras que tentamos esquecer, situações que evitamos, atitudes que engolimos para não ficarmos mal vistos. Mas este ano, particularmente este ano, não sei se por ser mãe e dar outra importância às coisas e às relações, existem coisas demais que não posso calar. Não me apetece ser mais uma pessoa que come e cala. Quero e gostaria de entrar no novo ano mais leve, mais eu, mais transparente com o que gosto e o que não gosto. E possivelmente mais sozinha. Porque o grande motivo destas palavras que nunca são ditas é o medo de acabarmos sozinhos, de os outros levarem a mal o que queremos expressar. Mas não nos magoaram a nós primeiro? Devemos dar sempre a outra face? ou simplesmente responder com a outra mão e ficamos quites? 
Estou cansada de familiares que nos põem entre a espada e a parede, que nos tiram o chão durante dias por falta de apoio e nem se apercebem disso. De críticas vindas de pessoas que me viram crescer, que me dizem que o meu filho chora e a culpa é do colo que lhe dou. Que, se ele está num pico de ansiedade de separação, a culpa é minha, por ter estado os últimos seis meses e meio vinte e quatro horas por dia com ele. Devia tê-lo deixado chorar, isso sim. Para ser pior mãe e ele não gostar tanto de mim. 
Estou cansada de palavras vazias, de palavras sem honra nem valor. De  amigos que faltam a ocasiões especiais em cima da hora, que tanto trabalho nos deram a preparar, para lhes proporcionar momentos felizes e inesquecíveis, de ninguém me bater à porta quando digo que me sinto tão tão cansada, de amigos que pensava eu serem tão importantes e há meses não saber nada deles. Estou cansada de fins-de-semana a tentar criar boas recordações e, no final, apenas eu, o meu marido e o meu filho, não termos uma única fotografia juntos. 
É um mito dizerem que quando somos pais nos afastamos. Não somos nós que nos afastamos, são os outros que se afastam de nós. Sim, talvez não tenhamos tanta disponibilidade, mas e o esforço do outro lado? Lembro-me de há uns tempos atrás ter ido ter com uma amiga, no meio de um dia de trabalho, para lhe dar um saco de gomas porque no dia antes tinha perdido o seu querido animal de estimação. Será que o gesto foi maior para mim do que para ela? Será que depois de tantas noites sem dormir nunca pensei que ela me viesse bater à porta "com um saco de gomas"? Será que sou apenas eu que sou má pessoa porque dei e agora quero receber? Afinal o que são gestos de amizade? O que são estes pequenos pormenores na vida das pessoas? Perdemos estes valores? Ficaram pelo caminho?Ou então estou simplesmente cansada, apenas. E tudo tem outra dimensão e outro peso. Mas a verdade é que me apetece pegar no telefone e dizer a cada uma destas pessoas o quanto me magoam ou magoaram. Apetece-me deixar tudo dito em 2017. Não levar nada por dizer para 2018. 
E o que me apetece, verdadeiramente, é estar sozinha este natal. Só não o faço porque, mais uma vez não quero privar as pessoas próximas do meu filho do seu primeiro natal e, mais uma vez, vou dar sem receber.






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Se um dia eu não estiver aqui

Olho para ti e sinto as entranhas arder. Quase como uma dor física. Quase como se queimasse por dentro. Olho para ti, enquanto dormes, serenamente, e sei que por ti dava a volta ao mundo, sei que por ti morria as vezes que fossem precisas. Olho para ti, na imensidão do mundo que nos rodeia e tu, na tua caminha pequenina, estás tão desprotegido, tão abandonado, tão sozinho. Olho para ti e sei que se um dia te faltar nunca ninguém te há-de amar tanto como eu. Nem o teu pai, os teus avós, os teus padrinhos ou os nossos amigos. Olho para ti, meu filho, e lembro-me da primeira vez que te senti mexer, do quanto mudaste o meu corpo e a minha vida. De como tudo ficou diferente, meio sem sentido, meio planeado, meio do avesso. Olho para ti e apetece-me guardar-te dentro de mim outra vez, de abraçar-te com tanta força a ponto de me fundir contigo, de sermos um, outra vez. Finalmente percebo o que é amar ao ponto de doer, percebo o amor animalesco, o medo de não estar aqui para ti. Porque mais ninguém tem o meu cheiro, o meu toque e a minha voz. E por isso, se um dia te faltar, se um dia a única recordação que tiveres de mim forem algumas fotografias e meia dúzia de textos em que desabafo em como mudaste a minha vida, nem sempre para melhor, quero que saibas que te amo incondicionalmente. Que tu nunca estiveste em causa ou em dúvida. Que podia escrever palavras menos boas, mas que não estavam ligadas a ti. Estavam, sim, à falta de apoio, de tempo e de horas de sono. Olho para ti e tenho medo de cá não estar, de que mais ninguém saiba que gostas de adormecer sobre o braço esquerdo, que fechas os olhos assim que te levo para o escuro, que sempre que te vou buscar à cama te pouso as duas mãos na cara e sorrio para ti. Ninguém vai saber que adoras estar nu e que a meio da noite aqueces as mãos debaixo do meu pijama, enquanto voltas a adormecer. Que deitas a chucha fora quando queres comer e não dormir, mesmo que estejas a aninhar-te no colo. Ninguém vai saber, filho, como olhas para mim no meio da multidão e sorris com os olhos. Se um dia não estiver aqui para te pousar as mãos quentes na cara ou para aquecer as tuas de encontro à minha pele, quero que saibas que um dia foste tu que fizeste de mim uma pessoa cheia de amor e que, onde quer que eu esteja, vou estar sempre a sorrir-te com os olhos.


Eu e tu. Numa das nossas manhãs. Eu com muito sono e tu com dois meses.

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ajuda na amamentação

Tínhamos chegado a casa no dia anterior passadas duas noites no hospital. Estava em plena "subida" de leite. Tinha lido imenso sobre o assunto, assistido a vídeos para minimizar o desconforto, já tinha em casa uma almofada de sementes pronta a aquecer e uns saquinhos de hidrogel para o congelador. Mas sentia-me completamente desorientada na mesma. 
O Sebastião nasceu pré-termo e com baixo peso e apesar de vir cheio de fome era ainda muito imaturo para uma boa pega. Acabava por pegar bem, mas demorava uns bons quinze minutos de prática e muita paciência. No meio desse processo ele chorava desalmadamente de fome e eu comecei a ficar cheia de dúvidas, ainda para mais com a pressão de ter de o alimentar a cada X horas, porque ele tinha mesmo de ganhar peso. Não pensei duas vezes. 
Com a casa cheia de visitas, peguei no contacto que já tinha guardado em caso de vir a precisar e enviei um email a pedir ajuda. Era fim de semana e pensei que só segunda tivesse uma resposta. Enganei-me. Passado pouco tempo recebi uma mensagem no meu telemóvel a informar-me que poderia ligar para aquele número. E foi assim que falei pela primeira vez com a Patrícia. Perguntou-me o que se passava, falámos cinco minutos e nessa mesma tarde a Patrícia foi lá a casa. Esteve connosco cinco horas. Ensinou-me como fazer a extração manual, ajudou-nos com a pega, ficámos a conhecer novas posições para o Sebastião mamar, falámos de tudo, de sonos, de ritmos de crescimento, do que é normal acontecer e do que não é, até ajudou o Sebastião a fazer cocó e fez questão de ficar ao nosso lado até o ele cair de sono e não ser possível dar-lhe mais mama. Descansou-me imenso. Senti-me mais preparada, mais consciente do que estava a fazer. 
Quando se despediu de nós disse-me que podia falar com ela sempre que quisesse, sempre que surgisse alguma dúvida. No dia seguinte enviou-me mais alguns vídeos e artigos sobre amamentação. Senti-me sempre apoiada e durante estes quase cinco meses de amamentação exclusiva, meses em que o Sebastião ganhou peso de forma saudável, que passou de um bebé de 2400kg para 7kg, a Patrícia foi o meu apoio. Respondeu-me sempre prontamente a tudo o que lhe perguntei. Nos dias de muito calor em que ele queria mamar de hora a hora, nos dias em que parecia que não tinha leite suficiente, em dias anteriores a ter de me ausentar durante umas horas e como poderia fazer já que não o podia levar comigo. A Patrícia foi a causa de hoje o meu filho ainda mamar e ser um bebé tão saudável.

Podem encontrar a Patrícia aqui.


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recuperar o nosso corpo

Quase cinco meses depois posso olhar-me no espelho e perceber o porquê de todos os conselhos para amamentar. Tenho a minha barriga de volta, o meu peso de volta e sinto-me bem. Claro que existe alguma flacidez e claro que as maminhas nunca mais serão as mesmas mas quando começar a ter mais algum tempo disponível para mim, vou tratar dessa parte para o ginásio. Tenho sorte, tenho plena consciência disso, sempre fui magra, tenho uma boa genética, mas sinto mesmo que amamentar foi crucial para esta recuperação. Lembro-me de, durante o primeiro mês, enquanto o Sebastião mamava, sentir aquelas picadas na zona do útero, contrações provocadas pela ocitocina que o faziam retornar ao seu estado natural. Consegui vestir as minhas calças pré-gravidez após três semanas e agora sinto-me cada vez mais eu (fora o cansaço, mas sobre essa questão já falei aqui). Claro que o facto de 70% da minha alimentação ser à base de frutas, vegetais e leguminosas tem o seu peso. Tive algum cuidado nos primeiros dois meses por causa das cólicas que o Sebastião podia ter, mas depois comi de tudo sem problema. Quase não como carne e peixe apenas algum. Os meus almoços são quase sempre vegetarianos e ao jantar experimentamos cada vez mais receitas vegan. Não o fiz para perder peso, aliás já tinha referido anteriormente aqui, que desde há um ano para cá mudei imenso o meu estilo de vida e a alimentação foi o primeiro passo. Não me senti bem em continuar a comer a quantidade de proteína animal que comia antes, depois de ver alguns documentários e ter lido livros acerca da melhoria da saúde com uma dieta à base de fruta, vegetais e leguminosas. Experimentei reduzir a proteína animal e senti-me muito melhor quando o fiz, pelo que começou a fazer sentido na minha vida. Não deixei de comer carne e peixe a 100%, nem sei se algum dia o vou fazer. Deixei sim de beber leite, optei pela bebida de aveia ou arroz que são as que mais gosto. Mas no geral sinto-me bem, não fosse a privação de sono e acho que me sentiria optimamente!


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4 meses de ti

💙 Sorris a toda a hora
💙 descobriste os pés e levas tudo à boca
💙 Detestas estar no ovo
💙 Fazes birras de sono como gente grande
💙 Dormes um bocadinho mais durante a noite 
💙 Estás fascinado com o teu “ginásio” de brinquedos no quarto

💙 Começas a interessar-te por tudo o que comemos perto de ti


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outono ♥

Os dias mais pequenos e mais tempo para estarmos juntos em família. É assim que vejo esta nova estação, que a celebro. Não existem tantas saídas, passeios e fins de semana fora, mas existe mais gente a entrar cá em casa. Família, amigos, longos jantares, filmes no sofá, o aroma a bolos acabados de sair do forno e as manhãs frescas com café quentinho. Este ano vai ter um sabor diferente. Vou ter alguém para se enroscar comigo nas mantinhas e que me faz companhia na ronha matinal. Vão ser dias a dois, pelo privilégio de puder ficar com o meu filho mais alguns meses. Partilhar com ele a minha estação preferida. Passear com ele no parque e mostrar-lhe as folhas a mudar de cor, vestir-lhe roupa mais quentinha, ver os olhos dele brilhar quando o Natal de aproximar. Porque falta pouco, muito pouco, para a época mais querida e aconhegante do ano. 


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